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Fashion Design Books

Dentro da série de posts sobre indicações de livrarias onde comprar óbvio livros de moda, não poderia deixar de indicar a Fashion Design Books. A livraria fica bem no meio do campus do Fashion Institute of Technology e tem uma variedade de material tão grande que acaba atraindo estudantes de moda/arquitetura/artesplásticas/etc de várias instituições de Nova York.

Pra quem está montando uma biblioteca de moda, a livraria tem títulos que provavelmente você nunca ouviu falar, principalmente aqueles voltados para desenho/design. O preço não é dos mais atraentes, por isso, se você não tem pressa, vale pesquisar em sites como Amazon, Barnes & Noble ou Strand Bookstore.

Caso precise do tal livro logo e não o encontre mais barato na internet, uma dica: leve-o pra casa na hora porque alguns títulos podem acabar em questão de dias, caso seja exigido por algum professor do FIT. No campus também há uma Barnes & Noble, mas eu não compro mais na loja física depois de descobrir que no site é bem mais barato.

Materiais diversos

Nem só de livros vive a Fashion Design Books. Pra falar a verdade, acho que mais da metade do que é vendido na livraria diz respeito a material de desenho e/ou costura. Tintas, telas, pinceis, lápis, aquarelas, linhas/barbantes, colas, boards, canetas, manequins, jornais e revistas de moda ou “do it yourself”, tesouras e retalhos de tecido são alguns dos produtos à venda no local.

Creio que por estar no meio do campus do FIT, a livraria não tenha os preços mais baixos. Maaaas, no quesito variedade, a Fashion Design Books é uma perdição. A loja também compra livros usados e os revende por um preço mais baixo, mas eles não são tão fáceis de encontrar por lá. Também dá para fazer compras pela internet, só não testei se entregam no Brasil.

Serviço:
Fashion Design Books
Endereço: 250 West 27th Street, New York. Tel: (212) 633-9646

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Fashion Institute of Technology: a matrícula

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Se você está planejando passar uma temporada em Nova York para estudar moda com quem é top no segmento, concentre suas energias em duas instituições: a Parsons New School for Design e o Fashion Institute of Technology (FIT), ambas em Manhattan. As duas são referência em escola de moda dos EUA pela infra-estrutura, corpo docente e formação de novos designers.

Da Parsons, eu já falei aqui e aqui. Agora é a vez de falar um pouco sobre como funciona o processo de matrícula no FIT (lê-se: efe-ai-ti).  O nome é uma referência ao Massachusetts Institute of Technology, ou MIT, o maior centro de estudo de tecnologia do mundo e que fica na “grande” Boston.

Primeiro, você precisa saber que o FIT é uma universidade especializada em design, moda, arte, comunicação e business. Mas dá pra estudar nela sem passar pelo complicado processo de seleção ou “vestibular” dos EUA. É aí que entra o Continuing and Professional Studies, o “setor” do FIT que oferece cursos com direito a “credit certificates”, “non-credit certificates” ou apenas non-credit courses (algo como uma disciplina ou cadeira de faculdade). O que muita gente faz é se matricular em cursos non-credit sem necessariamente estar em busca de um certificado, e esse era o meu caso. O processo de matrícula é menos burocrático, não é preciso ter vínculo com a universidade, eles não pedem qualquer documento e nem perguntam se você é fluente em inglês ou não. Também não precisa se preocupar com o tipo de visto, pois eles só pedem o número do cartão de crédito.

Se o seu objetivo é ter o certificado e se profissionalizar em alguma das áreas oferecidas, é preciso completar – em até dois anos – a lista de todos os cursos exigidos. Cada área tem a sua lista, seja Color Specialist, Image Consulting ou Fashion Styling.

Período de matrículas

O FIT acabou de abrir o período de matrículas para a temporada Summer 2010 e marcou para 10 de maio o início das matrículas da temporada Fall 2010. Matrículas abertas significam que a lista de cursos oferecidos já está consolidada, inclusive com datas de início e de término.

Se você planeja vir para Nova York daqui a um ano, por exemplo, já vale ir dando uma olhada na lista de cursos oferecidos porque ela praticamente não muda. Há opções nas diversas áresa de moda, seja criação, produção e até administração.

Mas se esse é o período em que você pretende se matricular, seja ágil. As turmas de non-credit courses do FIT geralmente têm 16 vagas e lotam rapidinho. Quanto mais famosinho – e competente – o professor, mais rápido a turma lota.

A matrícula

Eu já tinha comentado no post sobre a Parsons que eu não me conformava com o processo de matrícula do FIT: ou fax ou pessoalmente, o que complica tudo quando você está fora dos EUA e só pretende chegar às vésperas do início das aulas. Pra completar, eles adiantam que não avisam se sua matrícula foi efetivada.

O FIT diz que vai entrar em contato caso tenha alguma dúvida ou encontre algum problema na sua ficha de inscrição. Após a minha experiência, creio que eles só fazem isso com quem mora nos EUA. Explico: a minha ficha de inscrição na primeira tentativa de matrícula estava errada, e eles não ligaram nem mandaram e-mail avisando.

Como saber se está matriculado então? Se você fez tudo pessoalmente, a pessoa que te atendeu vai imprimir a sua grade de cursos. Se foi por fax, você vai ter que checar com o seu cartão de crédito para ver se o curso foi debitado. Isso pode levar de três a cinco dias, mais ou menos.

No meu caso, depois de ligar 15 dias seguidos para a operadora de cartão de crédito, resolvi ligar para o FIT. Só assim descobri que a minha matrícula não tinha sido feita porque fiz confusão ao tentar me matricular em curso que tem pré-requisito.

A lógica do pré-requisito é a mesma das universidades brasileiras, e alguns non-credit courses do FIT exigem que você tenha completado outros para cursá-los. Vou dar um exemplo: Introduction to Image Consulting tem “níveis” I, II e III. Por mais que você vá fazer os três, preencha apenas o I na ficha. Quando terminar de cursar o I, você procura o departamento de matrículas pra se registrar no II, e assim por diante.

Enfim, é preciso prestar atenção para não por o carro na frente dos bois. Cursos que têm pré-requisito não lotam tão rápido assim.

Duração e preço

A lista de opções de non-credit courses é imensa e o preço é diretamente proporcional à quantidade de horas/aula. Há cursos com duas, quatro ou seis aulas (uma por semana, geralmente). Por isso, é possível fazer um curso aleatório durante o seu mês de férias, e nem precisa se programar pra passar meses em Nova York.

O curso Introduction to Image Consulting, por exemplo, tem opção de 6 aulas (das 9h30 às 12h30) ou um imprensado de 3 aulas (das 9h30 às 16h30). Ou seja, dá pra fazer em três semanas!

Se o seu objetivo é conseguir o non-credit certificate, a história é outra porque são vááários cursos a cumprir. O período máximo é de dois anos, mas é possível completar em 9 meses, se você for bem objetivo e disciplinado.

Quanto aos preços, eles variam, mas dificilmente passam de US$ 350 por curso. Os de Introduction to Image Consulting, por exemplo, custam de US$ 290 a US$ 310. Mas há cursos bem mais baratos, como Finance for Fashionista, por US$ 140, por duas aulas de 3h.

Cursos on-line

Essa é uma boa notícia pra quem não pode passar meses em Nova York. Os cursos on-line são geralmente mais baratos que os cursos presenciais (que eles chamam de outline) e abrangem o mesmo conteúdo. Óbvio que não é a mesma coisa, principalmente nessa área de moda, onde há muita subjetividade, mas pelo que percebi, é feito no capricho e há grande preocupação da universidade com a qualidade.

Os cursos on-line seguem regras parecidas com a das aulas presenciais: eles têm hora marcada pra acontecer (todo mundo no computador ao mesmo tempo), há tarefas a cumprir na hora e outras para entregar depois.

Não são todos os cursos que têm versão online, mas o Summer 2010 tem mais opções que o Spring 2010. Pelo menos a matrícula pode ser feita online.

Dicas aleatórias

Você só pode se matricular em, no máximo, 5 non-credit courses de uma vez. A justificativa do FIT é que muita gente estava se matriculando em 3985784569567 cursos ao mesmo tempo, não dava conta da demanda e acabava abandonando na metade ou fazendo de qualquer jeito.

Diferentemente da Parsons, o FIT não manda nenhuma carteirinha ou documento de acesso ao prédio. No primeiro dia de qualquer aula, o professor vai entregar uma carteira provisória e dar as coordenadas para você adquirir a carteira oficial, com foto e tudo. Você só tem direito a essa ID se estiver matriculado em mais de 1 non-credit course.

Fique íntimo do site do FIT. Ele é complicado, os termos acadêmicos podem embaralhar as idéias, mas é só navegar bem muito por ele que você se acha.

Quer ler mais sobre estudar no FIT? Thereza Chammas, do Fashionismo, e Cami, do I am leaving today, já compartilharam a experiência delas nos respectivos blogs e ajudaram a tornar esse post possível.

Museu do Fashion Institute of Technology (FIT)

O FashioNYC está muito chique e agora tem domínio próprio: www.fashionyc.com. Clica aqui que desde o dia 26 de abril os novos posts só entram lá!

O museu do Fashion Institute of Technology, em Nova York, se apresenta como integrante de um seleto grupo de museus com acervo dedicado exclusivamente à moda. Entre essas instituições estão o Musée de la Mode, em Paris; o Mode Museum, na Antuérpia (Bélgica); e o Museo de la Moda, em Santiago.  São Paulo bem que podia ter um com peças, por exemplo, de Herchcovitch, Neon e Glória Coelho, né?

Mas voltando a Nova York, o acervo do museu do FIT conta com 50 mil peças, entre roupas e acessórios, mas não é possível ver tudo isso durante uma visita. Essas peças ficam guardadas e só são mostradas ao público em exposições temáticas e temporárias e que podem misturar peças do acervo com outras emprestadas. Tem desde Azzedine Alaïa a Cristóbal Balenciaga, passando por Gabrielle “Coco” Chanel, Christian Dior, Halston, Charles James, Norman Norell, Paul Poiret, Yves Saint Laurent e Vivienne Westwood. Há ainda 4 mil pares de sapatos, entre eles, peças de Manolo Blahnik, Ferragamo, Perugia e Roger Vivier.

O museu fica no conjunto de prédios que formam o FIT e conta com três galerias. Cada uma delas abriga um segmento de exposição. É assim: a The Fashion and Textile History Gallery é ocupada apenas por roupas e acessórios que contem algo sobre o desenrolar da história da moda. As peças em exposição são substituídas a cada seis meses, em média, mas o tema da exposição sempre tem que abranger 250 anos de história da moda.

A Gallery FIT é dedicada a exibições montadas pelos estudantes do instituto. Pode ser exposição sobre roupas que eles criaram ou sobre pesquisa histórica sobre uma marca de sapato ou um estilista, por exemplo. Todo anos, em meados de maio, entra em exibição o trabalho de graduação dos estudantes do curso de Art e Design. É a chance de conhecer estilistas saídos do forno de uma das escolas de design mais respeitadas no mundo.

Há ainda uma terceira galeria, que fica no subsolo e é preciso perguntar aos seguranças como faz pra chegar lá. O melhor de tudo? O museu tem um site de visita virtual incrível onde você pode conferir fotos de 350 peças, com extensa descrição, além de biografias de vários estilistas.

Exposições atuais

Hoje, o museu do FIT tem três ótimas exposições em cartaz: “Night & Day”, “American Beauty: Aesthetics and Innovation in Fashion” e “Scandal Sandals & Lady Slippers: A History of Delman Shoes”.

A exposição “Night & Day” mostra as mudanças nas regras que ditavam as roupas apropriadas para as mulheres vestirem durante o dia ou à noite ao longo dos últimos 250 anos. São mais de 100 peças expostas, entre roupas, tecidos e acessórios, que servem para ilustrar as convenções sociais durante vários períodos.

O que aprendi na exposição? Que existiu uma época – início dos anos 1900 – em que as mulheres deveriam usar roupas de manga comprida e gola alta durante o dia e mangas médias e pescoço de fora durante a noite. O que fez me lembrar que, hoje em dia, o dress code é tão obsoleto que a regra que restringia o uso de brilho somente à noite está começando a ser ignorada. É a evolução da sociedade através do seu modo de se vestir. Quem sabe um dia homens de negócios nao serão obrigados a usar terno e gravata em cidades como Rio de Janeiro e Recife…

A exposição vai até o dia 11 de maio. Quer ler uma descrição mais detalhada da “Night & Day”? Clica aqui.

A exposição “American Beauty” é incrivelmente linda. A disposição das roupas, das cores, dos manequins, a iluminação… É tudo lindo de ver de longe ou de pertinho, quase disparando o alarme do museu de tão perto que você quer chegar da roupa. A mostra usa 75 looks de 31 fashion designers americanos para contar como a “filosofia da beleza” se alia ao trabalho artesanal do dressmaking. Resumindo: as peças são um exemplo de trabalhos de estilistas que transformaram uma roupa em verdadeira obra de arte, seja pela beleza, pela geometria (ou formato?), pela inventividade ou pelo contexto histórico.

A exposição “American Beauty” é a menina-dos-olhos do museu do FIT. Quem não puder fazer uma visita antes que a mostra seja encerrada pode conferir a visita virtual, que é super informativa e tem várias fotos. A exposição vai até o dia 10 de abril.

Por último, mas não menos interessante, vem a exposição sobre os sapatos da marca Delman. A mostra é resultado de uma atividade curricular dos alunos do curso de graduação em “Fashion and Textiles Studies: History, Theory, Museum Practice”. Em cartaz, cerca de 50 sapatos de uma das marcas de sapatos mais antigas e tradicionais dos EUA, além de um pouco da história de Herman Delman, que fundou a marca de 1919, logo depois de volta da guerra.

Os Delman Shoes se destacam pela beleza e refinamento e costumam aparecer nos pés de muitas famosas. Começou com Jacqueline Kennedy, Marilyn Monroe e Marlene Dietrich, e hoje está nos pés de atrizes como Anne Hathaway, Blake Lively e Leighton Meester. A rainha Elizabeth II também usou um Delman na sua coroação, em 1953.

O que achei mas legal na exposição? Descobrir que, nos anos 1930, Delman se viu louco e teve insônia (de verdade) porque as mulheres inventaram de pintar as unhas dos pés e deixá-las à mostra, o que as levou a preferir sapatos ou sandálias com a ponta aberta. Eram as consumidoras determinando o que um designer deveria criar, e Delman teve de se adaptar a elas.

A exposição sobre os sapatos Delman vai até o dia 4 de abril. Mais informações sobre a mostra aqui ou clica aqui para visita virtual.

Serviço:
7th Avenue com 27th St, New York, NY. Tel.: (212) 217-4530
A entrada é gratuita. As exposições geralmente duram meses e também há visitas guiadas que precisam de inscrição antecipada, pois se esgotam rapidamente.

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