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So long Bryant Park…


A edição fall 2010 da NYFW – entre os dias 11 e 18 de fevereiro – foi a última a ser realizada no Bryant Park, que fica atrás da Biblioteca Pública de Nova York, na 5ª Avenida. As próximas semanas de Nova York serão no Lincoln Center, mais precisamente no Damrosch Park. Modelos, estilistas e até curiosos terão de esperar até o dia 9 de setembro deste ano (início da próxima temporada) para ver como a nova locação vai se comportar.

Essa mudança de mala e cuia vai alterar a programação de nova-iorquinos e turistas que curtem observar a movimentação do lado de fora a cada NYFW. Mas como a fórmula é muito parecida, sempre vão existir as saídas dos fundos por onde as celebridades entram e saem e sempre vão existir aqueles que vão mais para serem vistos do que para ver alguma coisa.

Bye, bye

Esta última edição deixou um ar de saudosismo. Fern Mallis, sênior vice-presidente da IMG Fashion, empresa “dona” da NYFW, fez as contas na revista oficial do evento: foram 17 anos, 31 temporadas e 2.500 desfiles.

A NYFW terminou nesta quinta-feira, dia 18, e com ela acaba também a minimaratona de minicobertura do fashioNYC. Me submeti a pagar US$ 90 dólares de credenciamento para poder ver como era o povo que tinha acesso às tendas, como era a preocupação com segurança e qual era o nível de afetação. As primeiras impressões viraram este post aqui.

Entrada pela avenida das Américas

O meu credenciamento foi em cima da hora e, obviamente, conseguir acesso aos desfiles foi complicado porque as listas já estavam fechadas. Mas as assessorias dos estilistas brasileiros compensaram o descaso das assessorias dos designers daqui.

Com o desfile de Miele e o de Herchcovitch deu pra perceber que a NYFW é bem menor que a SPFW em relação à área ocupada, o Bryant Park. A preocupação com a segurança é muito despreocupada. Apesar do aviso de que bolsas podiam ser revistadas a qualquer momento, não vi ninguém sendo revistado e não era tão difícil entrar na tenda.

A credencial de imprensa era a mesma para todos os dias do evento e não tinha sequer nome ou foto do credenciado. A única com esses itens de segurança eram as dos cinegrafistas e fotógrafos porque eles tinham acesso a todos os desfiles. Na SPFW é imprescindível ter foto e, para credenciamentos de última hora, é uma nova e colorida credencial a cada dia.

Ao longo da fashion week deu para ver que tem fashionista que é muito igual: eles vão lá mais para serem vistos do que para verem qualquer coisa. À medida que a semana ia passando, mais gente estilosa passeava pela tenda. Todos muito abertos a posar para fotos e falar sobre o estilo próprio.

O nome na lista torna tudo mais fácil, tanto para a organização quanto para quem quer fazer dinheiro às custas de convites ganhos. O tamanho dos lounges também surpreendeu de tão pequenos que eram. Havia menos de dez e alguns deles eram ocupados por empresas diferentes a cada dia. O que promovia uma marca de chocolate deu lugar ao Fashionable Istanbul, por exemplo. O da Coca Cola, que só distribuía refrigerante e anunciava a coleção The Heart Truth’s, passou a oferecer quick massage.

Como dizia o slogan não tão oficial: “So long Bryant Park and welcome Lincoln Center”. O novo endereço da NYFW fica no Upper West Side de Manhattan, no lado oeste, entre as ruas 62nd e 65th e as avenidas Columbus e Amsterdam. O local é a casa oficial da ópera, da filarmônica e do balé de Nova York, além do NY Film Festival. Agora, abrirá as portas também para a moda.

Anúncios

Vendem-se ingressos para NYFW

No último dia de NYFW Fall 2010 o Craigslist ainda tinha anúncios de venda de ingressos para desfiles. O preço em cada link não é necessáriamente o do ingresso. É que anúncios precisam ter preço no título

Nem tudo está perdido se há vontade de ir a algum desfile da NYFW, dinheiro e sangue frio: quem não ganha convites e nem pode se credenciar como “fashion buyer” ou imprensa tem o Craigslist como a salvação ou a perdição.

O site é uma espécie de classificados pela internet muito conhecido nos EUA e onde se compra e se vende praticamente tudo. Há desde oferta e procura de emprego e prestação de serviço até venda e aluguel de imóveis. Há gente também oferecendo quarto para alugar e universitários em busca de roomates. Solitários procuram gente do mesmo sexo ou do sexo oposto e dá também para marcar encontros casuais.

A página de tickets é uma das mais movimentadas. A procura pela palavra-chave “fashion” mostra que muita gente aproveita para ganhar dinheiro vendendo os ingressos que são distribuídos gratuitamente pela organização de cada desfile.

No Craigslist também tinha ingressos para a edição fall 2010 da festa beneficente de Naomi Campbell. A cada edição do evento, as entradas são vendidas oficialmente, mas no classificados elas eram revendidas pelo dobro do preço.

Preços

No primeiro dia de NYFW comecei a trocar email com alguns vendedores. Como ingressos para a semana de moda não estão à venda, não fazia ideia de preço, mas já imaginava que, quanto mais famoso o estilista, mais caro para “existir” no desfile dele. E a quanto mais regalias tiver acesso o vendedor (como festas depois do desfile ou coquetel party 30 minutos antes do show), mais caro também será o ingresso.

A primeira resposta por e-mail que recebi parecia um cardápio de restaurante de tantas opções de desfiles. Os preços variavam de US$ 59 a US$ 299 por ingresso. Uma pessoa que não se identificava vendia, ao todo, 34 ingressos para 21 desfiles diferentes. Nem todos eram para a NYFW: por US$ 99 dava, por exemplo, para ir ao Japan Fashion Week Designer Preview.

Depois de mais contatos com outros vendedores, percebi que a média de preço era essa, e raríssimos ingressos custavam menos de US$ 100. Um deles tinha menos convites disponíveis, mas o preço era em torno de US$ 200. Já outro chegava a cobrar US$ 1000 por cada ingresso que ele tinha! Tudo bem que eram ingressos para desfiles de estilistas como Tommy Hilfiger, mas tirar US$ 1000 em um ingresso ganho chega a ser descarado.

Negociação

O fashioNYC não chegou a comprar nenhum ingresso porque o site ainda não tem orçamento para essas extravagâncias. Mas deu para descobrir como o esquema funciona a partir da orientação dos vendedores. Como o acesso aos desfiles da NYFW é com nome da lista, o vendedor revela com qual nome você deve se identificar na entrada. Esse tal nome você só descobre após o pagamento, que pode ser feito por PayPal ou pessoalmente, vai da escolha de quem está vendendo. A negociação pode ser por e-mail ou apenas por telefone.

Dependendo do prestígio do vendedor com a marca, quem compra entradas para a NYFW vai sentar nas primeiras filas ou ficar em pé. A dica é perguntar sobre isso na hora da compra. Também vale tentar negociar o preço, mas as minhas tentativas não foram bem-sucedidas.

Em casos como esse, em que o vendedor é alguém ou muito rico ou que trabalha com moda, nem todos estão interessados em dinheiro. Um dos anúncios se destacou porque oferecia assentos garantidos em vários desfiles em troca de artigos de grifes como Chanel e Louis Vuitton. O anúncio vai na íntegra aqui:

“I have GUARANTEED SEATING for shows IN THE TENT at Bryant Park. I am a socialite/buyer/shopper/client/friend of many designers, and I have invitations for shows, but I will be unable to attend this Fashion Week, so I am willing to trade the tickets I have, for perhaps some sort of cool fashionista item–Chanel, Louis Vuitton… Serious inquiries only. This is for GUARANTEED SEATING, not standing room, like some people have. If interested, please email me. Thank you

Compra de risco

Como essa venda de ingressos não é algo oficial e os estilistas nem devem imaginar que existe todo esse comércio paralelo às custas do trabalho e do convite deles, quem compra nessas circunstâncias não tem muitas garantias de que vai dar tudo certo após o pagamento. É um negócio de risco: você pode dar sorte de lidar com alguém honesto ou dar azar de negociar com alguém que venda o mesmo assento e o nome na lista a duas pessoas diferentes.

Ou seja, a negociação é feita na base de confiança, mas isso é algo que costuma funcionar por aqui. Não é só no Craigslist que dá para comprar tickets, pois há inúmeros sites nos EUA que vivem só da compra e venda de ingressos para shows e jogos, por exemplo. Muitos desses ingressos vendidos já esgotaram nas bilheterias oficiais e a venda pelos sites vira uma espécie de leilão. O marido já comprou quatro ingressos para jogo de basquete por um dos sites e deu tudo certo, os ingressos era verdadeiros.

* Alguns links deste post podem não funcionar porque o anúncio costuma ser retirado do ar quando a negociação/venda é encerrada.

A foto de baixo é do stock.xchng

Herchcovitch na NYFW

O desfile da Alexandre Herchcovitch no penúltimo dia da NYFW – que vai até esta quinta, dia 18 – encerrou a minimaratona de minicobertura do evento pelo fashioNYC. O desfile foi muito bem aplaudido, sinal de que o público gostou. A sala era menor que a do desfile de Carlos Miele, o que não quer dizer que um estava mais vazio que o outro. O povo se imprensou pra ver as roupas do mesmo jeito.

Era uma entrevista atrás da outra após o desfile

Não vou fazer resenha de desfile porque essa não é a minha praia. Mas o que Herchcovitch mostrou na passarela deixou bastante gente com vontade de usar. Pelo menos as mocinhas que estavam ao meu lado enumeraram – em inglês – várias peças que elas gostariam de comprar e, durante a espera para entrar no backstage, mais gente citava uma ou outra peça-desejo.

Algumas peças faziam barulhinho de sinos à medida que a modelo andava. Fotos: Getty Images

O mais legal no desfile de Herchcovitch em Nova York é que ele mostra praticamente a mesma coleção que ele apresentou na SPFW pouco tempo antes. Se não são as mesmas peças que ele leva pra NYFW, é a mesma paleta de cores, a mesma história, o mesmo repertório. Isso quer dizer que, apesar de o Brasil ser temporalmente 1 ano atrasado em relação às semanas de moda mundo afora, com Herchcovitch dá a sensação de que estamos pau a pau.

Mais fotos…

Câmeras, câmeras e mais câmeras...

Modelos se despindo de Herchcovitch após o desfile. Sabia que muitas delas voltam para casa de metrô depois que terminam de trabalhar?

Acabou a festa...

Carlos Miele na NYFW


O desfile de Carlos Miele nesta segunda-feira, dia 15, na NYFW fall 2010 teve sala lotada, sinal de que o trabalho do estilista é reconhecido. Mas o melhor de tudo foi perceber que as pessoas que estavam lá e com quem conversei realmente queriam ver o que o estilista tinha para mostrar e não estavam lá só para ver mais um desfile.

Esse foi o primeiro desfile que assisti in loco na NYFW e fiquei impressionada com a quantidade de câmeras no “pit”. As salas são enormes e rola toda aquela confusão de gente em pé, no fundão. Ok, pontualidade não foi o forte, mas vi um dos vestidos mais bonitos da temporada. Ele está logo abaixo, é o preto com nude, entre os outros preferidos. A trilha sonora foi brasileiríssima com Jorge Ben Jor. Tudo bem que as músicas dele tocam em vários desfiles pelo Brasil.

Fotos: Getty Images

O processo de entrada na sala dos desfiles da NYFW é muito tranquilo porque tem um monte de gente com a lista dos convidados em mãos. Uma vez que você confirma seu nome, recebe o convite de papel e entra na fila. O processo só me fez lembrar dos convites da SPFW com toda a parafernália eletrônica e as filas que você não sabe onde terminam.

Em sentido horário: sala cheia, convite basiquinho e interns da NYFW que contaram estarem ansiosas para ver desfile de estilista que ainda não conheciam

Nos bastidores, Miele contou que foi um desafio usar cores no inverno, que apostou na raiz brasileira para o design das roupas e que as peças foram feitas no Brasil com mão-de-obra de cooperativas de inclusão social. Atualmente, Miele vende suas peças para 27 países. Mais fotos do desfile aqui

Carlos Miele

Ok, desfile na NYFW não é bem um programa turístico porque é seleto, maaaaasss quem realmente está afim de ir a um desfile vai ficar feliz de saber que por aqui dá para se comprar quase tudo, inclusive ingressos. Eles, oficialmente, não estão à venda. Por isso, é um negócio de risco. Logo, logo tem post sobre isso.

RIP McQueen

A estilista Bob Bland se destacou entre o público no primeiro dia da NYFW fall 2010 e era impossível não notá-la. Com faixa preta nos olhos e mensagem de RIP McQueen (Rest In Peace, McQueen), a dona da marca Brooklyn Royalty era uma das pessoas mais fotografadas na tenda por causa da sua homenagem ao estilista Alexander McQueen.

Em uma rápida conversa, Bob contou que chorou quando ficou sabendo da morte do estilista. “Ele mudou o jeito como eu desenho agora. Toda a minha inspiração como uma jovem estudante veio dele”, desabafou.

Alexander McQueen foi encontrado morto nesta quinta-feira, dia 11. A polícia suspeita de suicídio. Leia mais aqui.

NYFW x SPFW

No primeiro dia de NYFW, a principal notícia não era algum desfile surpreendente, mas a morte do estilista Alexander McQueen. Um minuto de silêncio antes da entrada das modelos na passarela ficou tão comum quanto um estilista dar aquele “olá” para a platéia após a apresentação.

Mas vamos ao que interessa…

Como alguém que acompanha moda, tinha curiosidade de saber como era a NYFW, como era a infraestrutura, as pessoas que trabalhavam lá, a organização, a participação dos sem-ingresso, essas coisas.

De forma geral, eu achei a NYFW um evento muuuuito diferente da SPFW. Primeiro, a imprensa paga US$ 90 para existir dentro das tendas. O espaço de convivência é minúsculo e não há aqueles lounges incríveis, como o da Melissa ou o da Natura, que já valem uma visita ao prédio da Bienal, no Ibirapuera.

Como o nome oficial é Mercedes-Benz Fashion Week – apesar de ser NYFW mesmo – já dava pra imaginar que iria dar de cara com carrões. No local, tinha dois que, coitados, despertavam o interesse de pouquíssimos. No meu chutômetro, nem 20% dos que estavam ali olhavam por mais de 1 minuto para os carros.

Organização

Eu já tinha ouvido falar que a NYFW era um evento menor fisicamente e que não tinha tanta gente indo pra lá só pra dar pinta, mesmo sem assistir a um único desfile. Pelo que percebi pelo primeiro dia, tirando a imprensa, as pessoas vão ao local mesmo com o objetivo de assistir a algum desfile. Pode ser que o frio tenha contribuído, não sei, não tenho como comparar…

O “salão” fica cheio minutos antes dos desfiles, dá uma esvaziada quando todo mundo entra, e volta a ficar movimentado após cada desfile. Logo, muita gente vai embora e ficam só aquelas figuras que foram lá justamente para serem fotografadas. Deu pra perceber que são até pontuais.

Lounges

Os lounges são minúsculos, se é que dá pra chamar de lounge, porque tão mais para estande. Maybelline e TRESemmé, uma ONG para ajudar as vítimas do terremoto no Haiti e uma edição especial da Coca Cola Diet eram o destaque.

O mais legal mesmo era o da Maybelline, que lança uma linha enoooorme com novas cores e novos produtos, como o eyeliner. De brinde, eles davam a nova máscara Stiletto Voluptuous.

Fashionistas

No quesito “pessoas que se vestiram para a semana da moda” eu admito que o público que circula na SPFW é muito mais legal de observar. Na NYFW, até que tinha um povo interessante, mas dava pra contar nos dedos.

Um dos mais assediados no primeiro dia foi o estilista Shail Upadhya e a acompanhante dele Lisa Theodore. Tinha também Esther Nash, que é fashion designer e fashion expert, segundo o cartão dela.

Regalias e brindes

Tirando o rímel da Maybelline, dava pra ganhar também a garrafinha especial da Coca Cola e provar um chocolate que estava sendo divulgado. Definitivamente, a tenda é um lugar mais para trabalhar e vender roupa do que espaço para badalação. A sala de imprensa é minúscula, cada um precisa levar o seu computador e não há todas aquelas comidinhas como na SPFW. Só água (e Coca Cola).

O mais legal da NYFW? O line-up, of course, e um telão da American Express que mostrava os twittes sobre o evento. Tinha desde gente twittando a fila A até quem estava acompanhando e comentando pelo #NYFW .

Sem ingressos

Ok, você é turista, não foi pra Nova York pra cobrir o evento, mas adoraria ver a movimentação da NYFW. Minha sugestão é: não deixe de fazer algo legal para ir lá pra porta se você não tem como entrar. Se dentro já é marasmo, fora é mais chato ainda. Dar uma passadinha pra tirar fotos, ok. Muita gente faz isso mesmo.

Como esta edição acontece do meio pro final do inverno, a temperatura não ajuda muito quem fica do lado de fora. Já na edição do verão, talvez valha mais a pena dar uma circulada pelo Bryant Park e observar o vai-vém de fashionistas. Mas adianto, diferentemente da SPFW, não tem ninguém pedindo nem ninguém dando ingressos que não vai “usar”.

‘Desculpe o auê’

A temporada Fall 2010 da Mercedes-Benz Fashion Week, ou NYFW, começa nesta quinta-feira, dia 11, mas quem passou pelo Bryant Park dois dias antes e espiou por dentro da tenda, ficava se perguntando se daria tempo de deixar tudo pronto antes do início dos desfiles.

Por fora, já está tudo ok, a tenda está armada e algumas sinalizações já começaram a ser colocadas. Ao espiar pelas poucas portas visíveis, dava pra ver gente pra cima e pra baixo com caixas e mais caixas. Todo mundo fazendo cara de que estava lidando com algo muito importante.

Às vésperas do início da NYFW, o maior evento de moda da cidade não parecia mobilizar ou sensibilizar os nova-iorquinos. As cadeiras do Bryant Park estavam vazias – talvez por causa do frio – e poucas eram as pessoas que observavam todo o circo armado ou tiravam fotos.

Dois dias antes do desfile, o cenário ainda era feinho, feinho. Uma tarde sem sol e a vegetação seca por conta do inverno contribuíram e muito para o cenário mais de abandono do que de preparação.

Mas nesta quinta-feira, tudo vai mudar.