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Moda e manequins ao ar livre na Broadway

Nunca pôde ver de perto o desfile de algum top designer dos EUA? Pois a chance de conferir o talento de estilistas como Tommy Hilfiger, Donna Karan, Michael Kors e Diane von Furstenberg começa no dia 24 de junho de 2010 e vai até a primeira segunda-feira de setembro. Esse é o período em que estará rolando a exposição “Sidewalk Catwalk”, uma espécie de instalação de moda ao ar livre que vai espalhar 30 manequins pelo pedaço da Broadway que corta o Fashion District, entre a Times Square e a Herald Square, em Nova York.

Apesar do nome da exposição significar que a calçada vai virar uma passarela, os manequins estarão parados à espera da admiração pública. Todos os bonecos estarão vestidos com peças produzidas por quase 30 top designers dos EUA, incluindo ainda Kenneth Cole, Nanette Lepore, Isaac Mizrahi, Anna Sui e Isabel Toledo, entre outros. Estudantes da Parsons e do FIT ajudarão nos preparativos.

Segundo o material de divulgação, as roupas serão uma “representação criativa” de cada estilista em cima de um dos principais materiais de trabalho deles: o manequim. A instalação pretende mostrar “a vitalidade e o espírito criativo da indústria da moda em um ambiente externo”.

Pra nós, simples curiosos de moda, é a oportunidade de tornar o passeio pela Broadway mais divertido, além de poder conferir o trabalho de designers que já fazem parte da história da moda.
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Sim, os manequins e as roupas ficarão durante todo o período expostos a sol, chuva ocasional e poluição (que tem de sobra em Manhattan). Mas como os designers não são bestas, eles poderão trabalhar com os aviamentos que quiserem – não só tecido – e vão usar um material resistente a água.

Por enquanto, só o manequim da foto viu a cor da rua como parte do teste de “locação”. A exposição/instalação é obra do Fashion Center Business Improvement District, uma organização que é tipo a “prefeitura” do Fashion District. O release completo – com a lista dos designers – está aqui. Como o objetivo do FashioNYC é ensinar a pescar e não só dar o peixe, o site do Fashion Center é um ótimo lugar para buscar infos atualizadas sobre o distrito da moda em NYC. Assim que a exposição começar, posto fotos aqui.

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Museu do Fashion Institute of Technology (FIT)

O FashioNYC está muito chique e agora tem domínio próprio: www.fashionyc.com. Clica aqui que desde o dia 26 de abril os novos posts só entram lá!

O museu do Fashion Institute of Technology, em Nova York, se apresenta como integrante de um seleto grupo de museus com acervo dedicado exclusivamente à moda. Entre essas instituições estão o Musée de la Mode, em Paris; o Mode Museum, na Antuérpia (Bélgica); e o Museo de la Moda, em Santiago.  São Paulo bem que podia ter um com peças, por exemplo, de Herchcovitch, Neon e Glória Coelho, né?

Mas voltando a Nova York, o acervo do museu do FIT conta com 50 mil peças, entre roupas e acessórios, mas não é possível ver tudo isso durante uma visita. Essas peças ficam guardadas e só são mostradas ao público em exposições temáticas e temporárias e que podem misturar peças do acervo com outras emprestadas. Tem desde Azzedine Alaïa a Cristóbal Balenciaga, passando por Gabrielle “Coco” Chanel, Christian Dior, Halston, Charles James, Norman Norell, Paul Poiret, Yves Saint Laurent e Vivienne Westwood. Há ainda 4 mil pares de sapatos, entre eles, peças de Manolo Blahnik, Ferragamo, Perugia e Roger Vivier.

O museu fica no conjunto de prédios que formam o FIT e conta com três galerias. Cada uma delas abriga um segmento de exposição. É assim: a The Fashion and Textile History Gallery é ocupada apenas por roupas e acessórios que contem algo sobre o desenrolar da história da moda. As peças em exposição são substituídas a cada seis meses, em média, mas o tema da exposição sempre tem que abranger 250 anos de história da moda.

A Gallery FIT é dedicada a exibições montadas pelos estudantes do instituto. Pode ser exposição sobre roupas que eles criaram ou sobre pesquisa histórica sobre uma marca de sapato ou um estilista, por exemplo. Todo anos, em meados de maio, entra em exibição o trabalho de graduação dos estudantes do curso de Art e Design. É a chance de conhecer estilistas saídos do forno de uma das escolas de design mais respeitadas no mundo.

Há ainda uma terceira galeria, que fica no subsolo e é preciso perguntar aos seguranças como faz pra chegar lá. O melhor de tudo? O museu tem um site de visita virtual incrível onde você pode conferir fotos de 350 peças, com extensa descrição, além de biografias de vários estilistas.

Exposições atuais

Hoje, o museu do FIT tem três ótimas exposições em cartaz: “Night & Day”, “American Beauty: Aesthetics and Innovation in Fashion” e “Scandal Sandals & Lady Slippers: A History of Delman Shoes”.

A exposição “Night & Day” mostra as mudanças nas regras que ditavam as roupas apropriadas para as mulheres vestirem durante o dia ou à noite ao longo dos últimos 250 anos. São mais de 100 peças expostas, entre roupas, tecidos e acessórios, que servem para ilustrar as convenções sociais durante vários períodos.

O que aprendi na exposição? Que existiu uma época – início dos anos 1900 – em que as mulheres deveriam usar roupas de manga comprida e gola alta durante o dia e mangas médias e pescoço de fora durante a noite. O que fez me lembrar que, hoje em dia, o dress code é tão obsoleto que a regra que restringia o uso de brilho somente à noite está começando a ser ignorada. É a evolução da sociedade através do seu modo de se vestir. Quem sabe um dia homens de negócios nao serão obrigados a usar terno e gravata em cidades como Rio de Janeiro e Recife…

A exposição vai até o dia 11 de maio. Quer ler uma descrição mais detalhada da “Night & Day”? Clica aqui.

A exposição “American Beauty” é incrivelmente linda. A disposição das roupas, das cores, dos manequins, a iluminação… É tudo lindo de ver de longe ou de pertinho, quase disparando o alarme do museu de tão perto que você quer chegar da roupa. A mostra usa 75 looks de 31 fashion designers americanos para contar como a “filosofia da beleza” se alia ao trabalho artesanal do dressmaking. Resumindo: as peças são um exemplo de trabalhos de estilistas que transformaram uma roupa em verdadeira obra de arte, seja pela beleza, pela geometria (ou formato?), pela inventividade ou pelo contexto histórico.

A exposição “American Beauty” é a menina-dos-olhos do museu do FIT. Quem não puder fazer uma visita antes que a mostra seja encerrada pode conferir a visita virtual, que é super informativa e tem várias fotos. A exposição vai até o dia 10 de abril.

Por último, mas não menos interessante, vem a exposição sobre os sapatos da marca Delman. A mostra é resultado de uma atividade curricular dos alunos do curso de graduação em “Fashion and Textiles Studies: History, Theory, Museum Practice”. Em cartaz, cerca de 50 sapatos de uma das marcas de sapatos mais antigas e tradicionais dos EUA, além de um pouco da história de Herman Delman, que fundou a marca de 1919, logo depois de volta da guerra.

Os Delman Shoes se destacam pela beleza e refinamento e costumam aparecer nos pés de muitas famosas. Começou com Jacqueline Kennedy, Marilyn Monroe e Marlene Dietrich, e hoje está nos pés de atrizes como Anne Hathaway, Blake Lively e Leighton Meester. A rainha Elizabeth II também usou um Delman na sua coroação, em 1953.

O que achei mas legal na exposição? Descobrir que, nos anos 1930, Delman se viu louco e teve insônia (de verdade) porque as mulheres inventaram de pintar as unhas dos pés e deixá-las à mostra, o que as levou a preferir sapatos ou sandálias com a ponta aberta. Eram as consumidoras determinando o que um designer deveria criar, e Delman teve de se adaptar a elas.

A exposição sobre os sapatos Delman vai até o dia 4 de abril. Mais informações sobre a mostra aqui ou clica aqui para visita virtual.

Serviço:
7th Avenue com 27th St, New York, NY. Tel.: (212) 217-4530
A entrada é gratuita. As exposições geralmente duram meses e também há visitas guiadas que precisam de inscrição antecipada, pois se esgotam rapidamente.

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Fashion Trends na Parsons

Parsons New School for Design

O ponto de encontro da moda com a fotografia

O International Center of Photography ou ICP é um deleite para quem curte fotografia e moda. As exposições no local são temporárias e não necessariamente são com a temática moda. Mas fotografias não deixam de ser um registro da sociedade e facilmente dá para retirar delas algumas informações de moda.

As duas exposições atuais do ICP são um exemplo. A primeira delas é sobre mulheres que viviam na República Tcheca na década de 1950. O fotógrafo Miroslav Tichý usava câmeras improvisadas e mirava mulheres na rua ou nas piscinas (de biquíni e tudo!) em plena Guerra Fria.

A outra exposição é sobre Paris no início dos anos 1900. Como em muitas das fotografias há homens e mulheres, a mostra é excelente para observar as roupas e captar um monte de informação sobre o que chamamos hoje de moda vintage.

Eventos especiais

O ano de 2009 foi escolhido pelo ICP como o ano da moda na instituição e foi celebrado com um evento especial batizado de Dress Codes, em que foram realizadas uma série de palestras e exposição, além da criação de um catálogo digno de colecionador. A proposta do evento era examinar a moda e a relação dela com a arte e com outros fenômenos sociais e culturais.

Meses antes do Dress Codes, o ICP promoveu uma exposição de fotografias de Richard Avedon, que, segundo o instituto, começou a fotografar moda depois da Segunda Guerra Mundial e revolucionou a área, redefinindo suas regras.

Livraria

Visitar a livraria do ICP é tão legal quanto observar o acervo do instituto. Mais uma vez, foi o professor de Fashion Trends da Parsons quem deu a dica: lá é um ótimo lugar para encontrar livros de moda, principalmente aqueles gigantes, lindos, pesados e com papel de ótima qualidade por causa das fotografias.

Dando uma olhada pelas prateleiras, é difícil não querer levar algum livro para casa. Lá, você vai encontrar desde o livro com fotos só da estilosa boneca Blythe (US$ 19,95) até um sobre moda na época do facismo, por US$ 60. Entre os gigantes que dão vontade de ter como item de decoração, há um duplo com a coleção do Costume Institute de Kyoto e o Fashion Today, de Collin McDowell.

O acervo é incrível e não dá para falar de todos neste post, mas clica aqui para visitar a loja virtual. A dica é: estando na livraria ou navegando pelo site, não deixe de comparar o preço na Amazon.com. Os preços do ICP nem se comparam com os das livrarias brasileiras, mas a Amazon.com ainda consegue ser mais barata e entrega no Brasil.

Cursos

A relação entre o ICP e a moda não é mesmo superficial e dá até para fazer cursos de curta duração por lá. No cronograma do instituto há o “Fashion and Photography”, curso com 33 horas/aula em que o aluno aprende, em três meses, não só a fotografar para moda mas também tem a oportunidade de fazer contatos. O curso sai por US$ 620 + US$ 75 de taxas.

Quem não pode ficar três meses em Nova York pode optar pelo “Studio Fashion: Tools and Techniques” que acontece durante dois fins de semana e custa US$ 515 + US$ 75 de taxa. Segundo a descrição do curso, os alunos têm um intensivo sobre técnicas de fotografia em estúdio e trabalha conjunto com cabeleireiros, modelos e até personal stylists.

Esses são apenas dois dos trocentos cursos do ICP. Tem desde os avançados em fotografia até aqueles para quem quer aprender a lidar com fotos e WordPress. A disponibilidade dos cursos em cada temporada pode variar.

Serviço:
O International Center of Photography fica na Avenue of the Américas com a rua 43. A entrada custa US$ 15, e o acesso à livraria é independente, sem necessidade de pagar ingresso.

Em NYC, vende-se até roupa de papel

Por US$ 90 mil você pode levar para casa essa coleção de dinner jackets feita por Greg Lauren. Aí, você se pergunta: Lauren quem? Não, não é Ralph Lauren quem está cobrando milhares de dólares por meia dúzia de roupas, mas é o sobrinho dele, que é artista nova-iorquino e é mais conhecido por suas pinturas e por obras feitas com papel japonês tratado com óleo e resina.

Além destes dinner jackets, a instalação de Greg Lauren tem colarinhos, gravatas, mangas de camisa e até calça, tudo de papel e em tamanho real. Batizada de “Counter Couture” ou contra-costura, a exposição em cartaz no Upper East Side, é um alívio para quem acha que moda em Nova York não se resume a compras.


O espaço da exposição é pequeno, do tamanho de uma sala de estar, por exemplo. A curadoria explica que as obras são uma interpretação pessoal do artista sobre a moda e que ele explora o papel da moda no desenvolvimento da identidade e a obsessão nos detalhes.

Moda de berço
O pai do artista é irmão de Ralph Lauren e coordena o departamento de moda masculina da grife. Por ter crescido nesse meio, o Lauren sobrinho usa a instalação para dividir com o público a visão pessoal sobre a indústria da moda e demonstrar que ela não é tão glamourosa e bonita quanto pode se pensar. É aquela coisa: cada um entende o que quiser, né?

Para quem gostou da exposição, uma má notícia: ela estará em cartaz apenas até o dia 6 de março. Depois, as peças devem ir para coleções particulares. Se quiser levar alguma para casa, os preços começam em US$ 7 mil. A boa notícia é que, se você estiver de passagem marcada para NYC, vale ficar de olho no FIAF, que é o French Institute Alliance Française. A instituição promove vários eventos relacionados a moda, como o Fashion Talks.

Quer ler mais sobre a instalação? Clica aqui (em inglês). Quer ver como foi a abertura da exposição? Então, clica aqui.


Serviço:
A exposição é grátis e fica em cartaz na FIAF Gallery até o dia 6 de março: 22 East 60th Street (entre a Park e a Madison Avenues).
Outras informações pelo telefone: 646 388 6667.