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Promoção do dia

Por mais que você passe na frente da mesma loja todos os dias enquanto estiver morando ou turistando em Nova York, não deixe de dar uma olhadinha na vitrine ou espiar pra ver se há alguma plaquinha na calçada ou na porta indicando a “promoção do dia”.

É assim: algumas cadeias de lojas como GAP, Banana Republic e Loft (algum dia faço post sobre ela) costumam fazer umas promoções ótimas, como dar 40% de desconto num dia qualquer, sem motivo aparente. Pra isso, essas lojas não esperam troca de coleção nem dão desconto na sobra do estoque, pode ser na coleção nova mesmo, e o desconto é sobre o preço da etiqueta quando você for pagar no caixa.

Teve um dia, por exemplo, que a GAP tava vendendo camisas masculinas e femininas por US$ 10. Como a loja costuma ter 39569870986 tipos de camisa, é preciso perguntar pro vendedor o que tem desconto e o que não tem, porque nada estará marcado em laranja fluorescente na etiqueta. Não precisa nem ter vergonha, os vendedores já estão calejados e, às vezes, podem até já ir te dizendo o que tá na “promoção do dia” sem nem você perguntar.

Se passou na frente, viu o desconto e achou interessante: entre. Esse tipo de promoção pode durar só o expediente do dia, e nem são todas as lojas da mesma rede que entram em promoção relâmpago ao mesmo tempo. Outro exemplo: passando pela frente de uma Victoria’s Secret, vi que 7 produtos da linha de cosméticos saíam por US$ 35. Ao passar por outra, nada de promoção….

Mas também não é o fim do mundo: essas promoções vão e voltam, mas sem periodicidade. Se um dia você perder o desconto de 40%, pode ser que no outro encontre camisetas por US$ 10.

Ah, se as lojas do Brasil aprendessem o que é promoção de verdade…..

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Passeio guiado pelo Fashion District de NYC

Um dos primeiros bairros que estudiosos e entusiastas de moda passando dias (ou meses) em Nova York gravam na memória é o Garment District, em Midtown. Também conhecido como Fashion District, o bairro é formado pela área entre a 5ª e a 9ª avenidas e entre as ruas 34th e 42th. O nome já explica muita coisa: o Fashion District se destaca dos outros bairros de Manhattan por concentrar lojas e/ou ateliês de famosos designers americanos, como Donna Karan e Calvin Klein, e por, hitoricamente, ter sido a primeira região a se “especializar” em moda, lá pela década de 1920. Passear por conta própria pelo bairro já vale uma tarde inteira, mas se você puder desfrutar de um guia turístico, a visita pode ser altamente informativa.

Foi procurando por um passeio guiado, também conhecido como “walking tour”, que descobri o Mike’s NYC Tours. Mike é o nome do guia, que topou me encontrar para um almoço no Fashion District e me contar detalhes sobre o passeio, que acontece em dias pré-estabelecidos e que dura entre 2 horas e 2h30.

Mike é new yorker. Ele nasceu e cresceu na cidade, morou em diferentes bairros da ilha e tem uma relação de mais de 35 anos com o Garment District. Descendente de imigrantes poloneses, os avós de Mike trabalharam no ramo (que a gente chama de confecção) e hoje ele é o único guia licenciado que encontrei que faz a visita guiada pelo bairro. O “walking tour” de Mike é o único indicado pelo Fashion Center, entidade que é tipo uma “prefeitura” do Fashion Disctrict.

Abrindo um parêntese importante: não vale confundir o walking tour com shopping tour. Esse das compras tem de rodo em Manhattan, mas se resume praticamente a uma pessoa levando você nas lojas onde ela consegue descontos (e comissão, óbvio).

O passeio guiado de Mike pelo bairro da moda é o “Fashion District History Walking Tour”. Durante a caminhada, o guia detalha a estrutura do Garment District, conta a história do bairro, o motivo que levou as empresas ligadas ao vestuário a se mudarem para a região (Midtown) e por que os prédios do Garment são arquitetônicamente bem diferentes dos da 5ª Avenida, por exemplo. Se o grupo quiser, também dá para visitar um ateliê + fábrica, além de showrooms onde dá até para fazer comprinhas.

A programação tem ainda uma parada na “Fashion Walk of Fame” e no Mood Fabrics, a loja de aviamentos onde o pessoal do Project Runway faz as suas compras no reality show. Mike sugere encerrar o passeio com uma visita no Museu do Fashion Institute of Technology, onde ele se despede dos guiados.

Isso tudo Mike contou durante o nosso almoço, já que ainda não tive a oportunidade de participar do walking tour pelo Garment por conta de datas. É aí que está o problema: ele não costuma agendar visitas abertas ao público com muita frequência. A próxima será no dia 16 de abril, uma sexta-feira, e ele não tem ideia de quando fará outra. Pelo menos o preço é amigo: 20 dólares por pessoa.

Esse é o preço das visitas abertas ao público, maaaaasss o que Mike faz na verdade é estabelecer um preço por walking tour. Ele contou que cobra US$ 350 pelo passeio completo, não importa se são 2, 5 ou 11 pessoas. Se o seu orçamento permite, dá até para ter um walking tour particular ou dividir com um amigo. Pra ele não importa, contanto que os US$ 350 estejam lá. Mike trabalha assim porque não há muita demanda do público em geral. A maioria dos guiados é formada por alunos de algum curso ligado a moda de NYC e de outros estados dos EUA.

Para acompanhar novas datas ou outros passeios guiados de Mike por Manhattam, é só acompanhar o site dele clicando aqui.

Serviço:
Mike’s NYC Tours
Próximo passeio agendado pelo Garment: 16 de abril, às 10h
Preço: US$ 20 por pessoa
Outras infos e RSVP pelo email  MikesNYCTours@yahoo.com ou pelo tel (212) 947-5500.

“Party like a skinny bitch”

Quer saber como entrar nas festas de moda de NYC mesmo sem saberem que você existe? A revista Time Out New York deu o caminho das pedras e escreveu no topo do mapa: “Party like a skinny bitch”. Em edição recente, a publicação – que é uma das principais de Nova York – contou os segredos de “How to be an NYC insider” e ensinou truques que vão desde encontrar celebridades a conseguir mesa em restaurantes disputadíssimos. Como a idéia do FashioNYC é falar sobre a moda nova-ioquina, segue o resuminho de como ser um “NYC fashion insider”, de acordo com a matéria.

A primeira dica é: prepare-se ser cara-de-pau. Separou o óleo de peroba? Então chegou a hora de fica íntimo de blogs como Racked National e o Refinery29. Os dois são conhecidos por divulgar inaugurações de lojas e eventos de compras. Até aí, nada de anormal. Mas é agora que começa o descaramento: uma vez nesses “coquetéis de inauguração” divulgados nos sites, procure saber se vai rolar uma after-party. Um gate-crasher que é fonte da revista diz que até eventos abertos ao público têm uma festinha privada depois.

Na matéria, a Time Out sugere que: se há lista de convidados, solte um nome básico, como Kim, dê sinais de impaciência à medida que a pessoa não encontra seu nome e se prepare pra sacar o cartão de visita (fake,né?). “Diga que você é uma fashion blogger, e coloque um link de mentirinha no seu cartão. Ninguém vai checar já que há tanta gente”, sugeriu a fonte. Ainda segundo o gate-crasher, essas festas raramente têm lista de convidados. O desafio é descobrir onde vai rolar o after-party.

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Outra dica da Time Out que interessa a quem curte moda é como conseguir comprar as roupas vistas em programas de TV. Uma das sugestões é se cadastrar no site SeenON!. A revista conta que os responsáveis pelo site promovem esporadicamente vendas online de roupas iguais (marca e modelo) às usadas em seriados como Gossip Girl, 90210 e Grey’s Anatomy, por exemplo. É só se cadastrar pra ficar sabendo das novidades. Dando uma passeada pelo blog da “loja”, vi que eles estão sorteando uma jaqueta usada em Vampire Diaries.

Quem curte decoração também vai gostar de outra dica da Time Out: a empresa Props for Today trabalha com aluguel de móveis e pequenos itens, como copos e pratos, para programas de TV e esporadicamente vende o que tem no estoque. O dono contou à revista que já vendeu camas usadas em Sex and the City por menos de US$ 200. Ok, é meio difícil despachar uma cama pro Brasil, mas um conjunto de quadros ou até um travesseiro usado por Carrie é mais fácil se você é fã do seriado em questão, né?

Sobre a Time Out New York

Entre as trocentas milhões revistas disponíveis nas revistarias de NYC, a Time Out New York merece a mesma atenção de quem acompanha publicações de moda como Vogue, Harper’s Bazaar, Elle e InStyle. Explico: a revista semanal é praticamente a bíblia da programação atualizada de NYC. Isso quer dizer que, entre novos restaurantes e baladas, novas lojas de roupas e dicas compras aparecem a cada semana. Isso sem contar ainda que a revista costuma trazer matérias especiais sobre consumo de moda em NYC, além de perfil de gente estilosa e ligada à moda nova-iorquina.

PS: como me falta (muita) vontade de existir nas festas de moda, não testei a eficácia das orientações da Time Out. Mas fica a dica! A matéria completa da Time Out está disponível aqui.

Going out of business (not!)

Já tinha lido sobre isso aqui, mas foi ao chegar a Nova York que deu realmente pra perceber que muitos lojistas resolvem mesmo apelar para o “Going out of business” para tentar atrair a clientela. Funciona assim: o lojista põe um cartaz gigante na fachada dizendo que está “encerrando as atividades” e que “tudo deve ir embora”, o que pode fazer o consumidor achar que está fazendo um grande negócio aproveitando o bota-fora antes do fechamento.

Ledo engano. O aviso é ignorado pelos nova-iorquinos e só turistas desinformados acreditam no aviso. Não é que ninguém compre nas lojas, mas quem passa todo dia pela mesma vitrine sabe que a loja não está fechando coisa nenhuma e que, se for pra comprar nela, é porque o preço tá competitivo e pronto. Se você observar bem, as lojas nem estão lotadas, e os preços nem são tão diferentes de outras lojas do mesmo nível. A ABC já fez matéria sobre isso mostrando que “going out of business is a business”. Na matéria, o preço “going out” de uma loja específica era até mais caro do que o preço que já foi praticado na loja dias antes. Pode?!?!?!

Não é beeeem um golpe, né? É mais uma mentirinha parecida com as promoções dos lojistas brasileiros em que anunciam na vitrine descontos de até 70%, mas, se você procurar por peças com 70% de desconto na loja, não vai encontrar nem meia dúzia de opções.

Maaaaasss, sempre há regras com exceção, né? Se vir um luminoso de “Going out of business” dando bobeira por aí, siga o instinto garimpeiro pra avaliar se existe um bom negócio ali ou se tudo não passa de mentira descarada, já que as lojas podem ficar nesse “going out” por vários meses ou mais.

Saint Patrick’s Day, o verde e o laranja


O verde é uma das cores mais negligenciadas e difíceis de usar quando o assunto é moda. No Brasil, é pior ainda: combinar com amarelo fica perfeito pra ver jogo da seleção; com rosa, pra ir assistir a desfile da Mangueira; e com marrom fica parecendo árvore. Mas em países como Estados Unidos, Canadá e Irlanda vestir verde no Saint Patrick’s Day faz de você parte da turma, não importa se a cor é tendência na estação ou se a combinação está coerente ou não.

Então, se você estará em Nova York em algum 17 de março não se esforce muito na hora de combinar roupas para sair de casa: ponha no mínimo uma blusa verde (bem veeeerde mesmo, de preferência) e aproveite o clima de festa que toma conta da cidade.

Diz-se que a parada de Saint Patrick’s Day em Nova York é a maior do mundo. O santo é como se fosse o padroeiro da Irlanda e a festa veio pra NYC junto com os imigrantes. Sendo a maior parada ou não, nova-iorquinos e turistas realmente se esforçam para usar alguma coisa verde em NYC. Os homens de negócios, por exemplo, tiram do guarda-roupa uma gravata verde sem medo de não combinar com o resto. Serve até cachecol, pois é uma questão de simbolismo.

É louco de observar as pessoas vestindo verde no Saint Patrick’s Day porque poucas vezes a roupa comunica tanto: se você usa qualquer coisa verde no dia, é sinal de que você – naquele momento – é uma pessoa legal, que está no clima da festa – esteja enchendo a cara ou não – e as pessoas vão até ser simpáticas com você.

E o laranja?

Primeiro, é preciso lembrar que Saint Patrick é algo como padroeiro da Irlanda, e que o país já viveu vários conflitos religiosos, certo? A cor verde é considerada o símbolo do catolicismo no país e vem daquele trevo com três folhas porque, segundo a história oral, a plantinha foi usada pelo santo para explicar a Santíssima Trindade.

Já o laranja é considerado um símbolo do protestantismo, religião que não têm santos e, consequentemente, não tem o Saint Patrick’s Day. Reza a lenda que é daí que vêm as cores da bandeira da Irlanda: o verde seria os católicos, o laranja seria os protestantes e o branco no meio simbolizaria a paz entre eles. Mas isso é folclore, não é oficial como nas cores da bandeira do Brasil.

Enfim, se você está em Nova York em algum 17 de março e sair de casa vestido só de laranja, ninguém vai te bater, mas não prometo nada. Ou as pessoas vão achar que você não sabe nada da cultura irlandesa e da festa que toma conta da rua, ou que você é do contra.

Como pagar menos por livros em NYC

Comprar livros pela internet em Nova York costuma ser mais barato do que comprá-los nas livrarias. Comprar na Barnes & Noble online, por exemplo, é mais em conta do que comprar na loja física. Pra aproveitar a barganha, no entanto, é preciso ter um endereço na cidade, que pode ser o do hotel, da casa de um amigo ou do apartamento alugado para temporada.

Mesmo que você esteja passando apenas uma semana na cidade, dá para aproveitar as pechinchas porque a entrega costuma ser rápida, em torno de dois dias para NYC, e o frete é grátis para compras acima de valores pré-estabelecidos.

Quer um exemplo? O livro “IF you have to cry, go outside”, de Kelly Cutrone, custava uns US$ 18 na Barnes & Noble da Union Square. Enquanto pensava se comprava ou não, o marido consultou – ainda na loja – o preço do mesmo livro no site da Amazon e viu que custava US$ 13,44. Ok, por esse preço teria de pagar frete, mas livros de moda sobram no estoque da Amazon e faltam na minha biblioteca em formação.

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No caso do livro “Fashion today”, de Colin McDowell, a diferença de preço foi ainda maior. Na livraria do Internacional Center of Photography ou ICP, ele custava US$ 49,99. Na consulta do marido na Amazon, o livro sairia por US$ 37,96. Depois disso, ignorei a Barnes & Noble. Enquanto escrevia o post, consultei na loja online do ICP e vi que o livro tava por US$ 39,95.

Tudo bem que nada substitui comprar um livro na livraria, folheá-lo lá mesmo, ler algumas páginas etc. Mas quando o objetivo é pechinchar, até na loja online da mesma livraria o produto pode ser mais barato.

Outro exemplo? Tinha ido à Barnes & Noble à procura do “The Teen Vogue Handbook” e não tinha encontrado o livro nas prateleiras. Dias depois, procurei por ele no site da loja e o encontrei por uns US$ 18. Como queria comprar apenas um livro e não queria pagar frete, optei pela opção pick up na loja. Entre as filiais com o livro disponível no estoque, tinha a livraria que fica a menos de 1 km de casa. No check in – ainda no site – descobri que o livro sairia por US$ 24,95 se fosse pra retirar lá no local.

Pick up store

A opção pick up store era pra ser algo muito legal, mas nem sempre é assim. De forma geral, ao escolher essa opção, alguém na livraria/loja vai procurar o seu livro/objeto no estoque e deixar ele separadinho com o seu nome no setor responsável. Aí, você vai até o local, diz que quer retirar o tal livro/objeto, paga no caixa e, pronto, ele é seu.

Só que na Barnes & Noble, o preço pick up é o preço do livro na livraria, que, como já falei no começo, é mais caro que no site. Além disso, é possível que a loja peça uns dois dias para achar o tal livro/objeto no estoque e levá-lo até o setor responsável. Enfim, não vale a pena, pelo menos no caso das lojas em que o preço pick up é mais caro do que o da loja online.

Strand Bookstore


Já falei sobre a Strand aqui, mas nunca é demais relembrar que ainda não vi livraria em Nova York onde o preço seja mais baixo que o da Strand, um sebo megalomaníaco. A loja também vende pela internet – o que é ótimo pra consultar preço e disponibilidade – e oferece a opção pick up na loja física pelo mesmo preço da loja online.

Mas é preciso ter paciência, porque eles também pedem dois dias pra localizar o livro e deixá-lo separadinho pra você. Essa opção pode ser boa caso a viagem por Nova York seja de curtíssima duração e você não tenha como objetivo passear pela livraria, só comprar um livro específico que só encontrou por lá.

Vendem-se ingressos para NYFW

No último dia de NYFW Fall 2010 o Craigslist ainda tinha anúncios de venda de ingressos para desfiles. O preço em cada link não é necessáriamente o do ingresso. É que anúncios precisam ter preço no título

Nem tudo está perdido se há vontade de ir a algum desfile da NYFW, dinheiro e sangue frio: quem não ganha convites e nem pode se credenciar como “fashion buyer” ou imprensa tem o Craigslist como a salvação ou a perdição.

O site é uma espécie de classificados pela internet muito conhecido nos EUA e onde se compra e se vende praticamente tudo. Há desde oferta e procura de emprego e prestação de serviço até venda e aluguel de imóveis. Há gente também oferecendo quarto para alugar e universitários em busca de roomates. Solitários procuram gente do mesmo sexo ou do sexo oposto e dá também para marcar encontros casuais.

A página de tickets é uma das mais movimentadas. A procura pela palavra-chave “fashion” mostra que muita gente aproveita para ganhar dinheiro vendendo os ingressos que são distribuídos gratuitamente pela organização de cada desfile.

No Craigslist também tinha ingressos para a edição fall 2010 da festa beneficente de Naomi Campbell. A cada edição do evento, as entradas são vendidas oficialmente, mas no classificados elas eram revendidas pelo dobro do preço.

Preços

No primeiro dia de NYFW comecei a trocar email com alguns vendedores. Como ingressos para a semana de moda não estão à venda, não fazia ideia de preço, mas já imaginava que, quanto mais famoso o estilista, mais caro para “existir” no desfile dele. E a quanto mais regalias tiver acesso o vendedor (como festas depois do desfile ou coquetel party 30 minutos antes do show), mais caro também será o ingresso.

A primeira resposta por e-mail que recebi parecia um cardápio de restaurante de tantas opções de desfiles. Os preços variavam de US$ 59 a US$ 299 por ingresso. Uma pessoa que não se identificava vendia, ao todo, 34 ingressos para 21 desfiles diferentes. Nem todos eram para a NYFW: por US$ 99 dava, por exemplo, para ir ao Japan Fashion Week Designer Preview.

Depois de mais contatos com outros vendedores, percebi que a média de preço era essa, e raríssimos ingressos custavam menos de US$ 100. Um deles tinha menos convites disponíveis, mas o preço era em torno de US$ 200. Já outro chegava a cobrar US$ 1000 por cada ingresso que ele tinha! Tudo bem que eram ingressos para desfiles de estilistas como Tommy Hilfiger, mas tirar US$ 1000 em um ingresso ganho chega a ser descarado.

Negociação

O fashioNYC não chegou a comprar nenhum ingresso porque o site ainda não tem orçamento para essas extravagâncias. Mas deu para descobrir como o esquema funciona a partir da orientação dos vendedores. Como o acesso aos desfiles da NYFW é com nome da lista, o vendedor revela com qual nome você deve se identificar na entrada. Esse tal nome você só descobre após o pagamento, que pode ser feito por PayPal ou pessoalmente, vai da escolha de quem está vendendo. A negociação pode ser por e-mail ou apenas por telefone.

Dependendo do prestígio do vendedor com a marca, quem compra entradas para a NYFW vai sentar nas primeiras filas ou ficar em pé. A dica é perguntar sobre isso na hora da compra. Também vale tentar negociar o preço, mas as minhas tentativas não foram bem-sucedidas.

Em casos como esse, em que o vendedor é alguém ou muito rico ou que trabalha com moda, nem todos estão interessados em dinheiro. Um dos anúncios se destacou porque oferecia assentos garantidos em vários desfiles em troca de artigos de grifes como Chanel e Louis Vuitton. O anúncio vai na íntegra aqui:

“I have GUARANTEED SEATING for shows IN THE TENT at Bryant Park. I am a socialite/buyer/shopper/client/friend of many designers, and I have invitations for shows, but I will be unable to attend this Fashion Week, so I am willing to trade the tickets I have, for perhaps some sort of cool fashionista item–Chanel, Louis Vuitton… Serious inquiries only. This is for GUARANTEED SEATING, not standing room, like some people have. If interested, please email me. Thank you

Compra de risco

Como essa venda de ingressos não é algo oficial e os estilistas nem devem imaginar que existe todo esse comércio paralelo às custas do trabalho e do convite deles, quem compra nessas circunstâncias não tem muitas garantias de que vai dar tudo certo após o pagamento. É um negócio de risco: você pode dar sorte de lidar com alguém honesto ou dar azar de negociar com alguém que venda o mesmo assento e o nome na lista a duas pessoas diferentes.

Ou seja, a negociação é feita na base de confiança, mas isso é algo que costuma funcionar por aqui. Não é só no Craigslist que dá para comprar tickets, pois há inúmeros sites nos EUA que vivem só da compra e venda de ingressos para shows e jogos, por exemplo. Muitos desses ingressos vendidos já esgotaram nas bilheterias oficiais e a venda pelos sites vira uma espécie de leilão. O marido já comprou quatro ingressos para jogo de basquete por um dos sites e deu tudo certo, os ingressos era verdadeiros.

* Alguns links deste post podem não funcionar porque o anúncio costuma ser retirado do ar quando a negociação/venda é encerrada.

A foto de baixo é do stock.xchng