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Saint Patrick’s Day, o verde e o laranja


O verde é uma das cores mais negligenciadas e difíceis de usar quando o assunto é moda. No Brasil, é pior ainda: combinar com amarelo fica perfeito pra ver jogo da seleção; com rosa, pra ir assistir a desfile da Mangueira; e com marrom fica parecendo árvore. Mas em países como Estados Unidos, Canadá e Irlanda vestir verde no Saint Patrick’s Day faz de você parte da turma, não importa se a cor é tendência na estação ou se a combinação está coerente ou não.

Então, se você estará em Nova York em algum 17 de março não se esforce muito na hora de combinar roupas para sair de casa: ponha no mínimo uma blusa verde (bem veeeerde mesmo, de preferência) e aproveite o clima de festa que toma conta da cidade.

Diz-se que a parada de Saint Patrick’s Day em Nova York é a maior do mundo. O santo é como se fosse o padroeiro da Irlanda e a festa veio pra NYC junto com os imigrantes. Sendo a maior parada ou não, nova-iorquinos e turistas realmente se esforçam para usar alguma coisa verde em NYC. Os homens de negócios, por exemplo, tiram do guarda-roupa uma gravata verde sem medo de não combinar com o resto. Serve até cachecol, pois é uma questão de simbolismo.

É louco de observar as pessoas vestindo verde no Saint Patrick’s Day porque poucas vezes a roupa comunica tanto: se você usa qualquer coisa verde no dia, é sinal de que você – naquele momento – é uma pessoa legal, que está no clima da festa – esteja enchendo a cara ou não – e as pessoas vão até ser simpáticas com você.

E o laranja?

Primeiro, é preciso lembrar que Saint Patrick é algo como padroeiro da Irlanda, e que o país já viveu vários conflitos religiosos, certo? A cor verde é considerada o símbolo do catolicismo no país e vem daquele trevo com três folhas porque, segundo a história oral, a plantinha foi usada pelo santo para explicar a Santíssima Trindade.

Já o laranja é considerado um símbolo do protestantismo, religião que não têm santos e, consequentemente, não tem o Saint Patrick’s Day. Reza a lenda que é daí que vêm as cores da bandeira da Irlanda: o verde seria os católicos, o laranja seria os protestantes e o branco no meio simbolizaria a paz entre eles. Mas isso é folclore, não é oficial como nas cores da bandeira do Brasil.

Enfim, se você está em Nova York em algum 17 de março e sair de casa vestido só de laranja, ninguém vai te bater, mas não prometo nada. Ou as pessoas vão achar que você não sabe nada da cultura irlandesa e da festa que toma conta da rua, ou que você é do contra.

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Nem sempre tão fashion assim

Fotos do Ugly Outfit New York

A afirmação de que os nova-iorquinos estão sempre bem vestidos, que exalam moda e estilo por todos os poros e que são impecáveis é generalizada demais. Há, claro, os nova-iorquinos estilosos e há os nova-iorquinhos-pessoas-normais, que se vestem para ir trabalhar, jantar fora ou encontrar os amigos sem muita produção, afetação ou informação sobre moda.

Um dos sites sobre street style de NYC que acompanho é formado por uma patrulha silenciosa de olho apenas nos que erraram a mão antes de sair de casa. É o Ugly Outfits New York, que não perdoou nem uma mocinha vestida para esta última edição da NYFW. O site coloca foto de pessoas que julgam estarem devendo no quesito elegância, mas não faz nenhum comentário. Há um tempão o site não era atualizado, mas parece que está voltando à ativa.

Particularmente, sou a favor de que todos podem vestir o que quiserem e não devem ser julgados por isso. Não há certo nem errado na moda. Há conforto, há estilo pessoal e há os que fazem sacrifício em um sapato apertado, por exemplo, só porque acham liiiindo.

Falar, então, do Ugly Outfits não soa contraditório? Não, se a intenção aqui é mostrar que, generalizadamente, o povo de Nova York não é tãããão estiloso nem preocupado assim com a aparência ou com a aprovação dos outros. E, se é (já que estilo é pessoal), não liga a mínima para como os outros o estão julgando.

Sala do desfile de Alexandre Herchcovitch minutos antes do desfile começar: preto era dress code? 😉

Preto, preto, preto

Antes de desembarcar em NYC, achava que ia topar com gente estilosa em cada esquina, o que não é bem assim. Neste inverno, por exemplo, o preto está em toda parte. Por isso, é inevitável uma risadinha quando dizem que preto é a cor deste inverno (sim, eu já vi dizerem isso depois da SPFW).

Mentira, todo mundo usa preto porque é prático e porque não suja, e roupa de inverno não se lava todo dia, né?

Ok, isso de “preto é cor do inverno” é obvio de se dizer, mas o que queria falar mesmo é que na NYFW causava espanto e canseira ver tanta gente de preto. Ou seja, até em terra de fashionista, a cor reina.

Encontro de blogueiras

Assim como no Brasil, as blogueiras de Nova York também costumam armar os seus encontrinhos, no caso, o Evolving Influence, que tem como característica ser muito fechado. Não porque seja algo só para os escolhidos, mas é porque as blogueiras se reúnem mais para trabalhar do que para se divertir ou pôr a conversa em dia. Assim, paralelamente à NYFW, o próximo encontro nova-iorquino será nesta segunda-feira, dia 15, e, de tão grande, será realizado em um teatro com lugar para 140 pessoas + um lounge onde tudo será transmitido por telão.

A ideia de que estão todos lá para trabalhar começa pela carga horária do evento, que vai das 10h até as 16h. Os inscritos participarão de um workshop sobre “Fashion Blog Marketing” e poderão acompanhar três painéis de discussão: “The Business of Blogging”, “Navigating Blog Ethics” e “The Future of Fashion Blogging”.

Para debater esses temas foram convidadas algumas “autoridades” no assunto, como Susie Bubble (Style Bubble), Clark Hoyt (Public Editor do New York Times) e Britt Aboutaleb e Lauren Sherman (Fashionista.com).

O encontro é promovido pelo Independent Fashion Bloggers ou IFB. Por trás dele, está Jennine Jacob, um exemplo de que blogs de moda podem virar profissão. Por falar nisso, quem acompanha a blogolândia fashion sabe que blogueiras dos EUA têm o trabalho reconhecido, viram fonte e até lançam linha de sapato. No Brasil, poucas conseguem gerar renda com o que escrevem.

Mas vamos voltar ao encontro….

As inscrições para o evento acabaram no mesmo dia. Rolou fila de espera e expansão para telões. O encontro será reproduzido – na medida do possível – ao vivo pelo twitter no #IFBcon. A organização prometeu também transmissão por streaming neste link aqui, mas vai ser em inglês, ok?

Ah! Quem tem ou pretende ter blog de moda DEVE acompanhar o IFB. É prestação de serviço como nenhum outro site ou até faculdade de jornalismo para quem quer fazer moda.

E o que tenho a ver com isso?

Como já escrevi lá em cima, o encontro foi aberto para inscrições, e ficou sabendo quem é cadastrado no IFB. Tudo bem que não precisa marcar a viagem para Nova York de acordo com um encontro de blogueiros, maaaaaasss acompanhar um evento como esse em NYC é um diferencial e tanto no seu turismo de moda.

Pra isso, é só acompanhar o IFB e ficar de olho no calendário da NYFW. Esta edição e a anterior do Evolving Influence (em setembro de 2009) foram marcadas para a mesma época da semana de moda. Não é difícil se inscrever e não paga nada. No mínimo, você sai de lá com um volume imenso de informação sobre a moda de Nova York como poucos turistas podem conseguir.