Museu do Fashion Institute of Technology (FIT)

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O museu do Fashion Institute of Technology, em Nova York, se apresenta como integrante de um seleto grupo de museus com acervo dedicado exclusivamente à moda. Entre essas instituições estão o Musée de la Mode, em Paris; o Mode Museum, na Antuérpia (Bélgica); e o Museo de la Moda, em Santiago.  São Paulo bem que podia ter um com peças, por exemplo, de Herchcovitch, Neon e Glória Coelho, né?

Mas voltando a Nova York, o acervo do museu do FIT conta com 50 mil peças, entre roupas e acessórios, mas não é possível ver tudo isso durante uma visita. Essas peças ficam guardadas e só são mostradas ao público em exposições temáticas e temporárias e que podem misturar peças do acervo com outras emprestadas. Tem desde Azzedine Alaïa a Cristóbal Balenciaga, passando por Gabrielle “Coco” Chanel, Christian Dior, Halston, Charles James, Norman Norell, Paul Poiret, Yves Saint Laurent e Vivienne Westwood. Há ainda 4 mil pares de sapatos, entre eles, peças de Manolo Blahnik, Ferragamo, Perugia e Roger Vivier.

O museu fica no conjunto de prédios que formam o FIT e conta com três galerias. Cada uma delas abriga um segmento de exposição. É assim: a The Fashion and Textile History Gallery é ocupada apenas por roupas e acessórios que contem algo sobre o desenrolar da história da moda. As peças em exposição são substituídas a cada seis meses, em média, mas o tema da exposição sempre tem que abranger 250 anos de história da moda.

A Gallery FIT é dedicada a exibições montadas pelos estudantes do instituto. Pode ser exposição sobre roupas que eles criaram ou sobre pesquisa histórica sobre uma marca de sapato ou um estilista, por exemplo. Todo anos, em meados de maio, entra em exibição o trabalho de graduação dos estudantes do curso de Art e Design. É a chance de conhecer estilistas saídos do forno de uma das escolas de design mais respeitadas no mundo.

Há ainda uma terceira galeria, que fica no subsolo e é preciso perguntar aos seguranças como faz pra chegar lá. O melhor de tudo? O museu tem um site de visita virtual incrível onde você pode conferir fotos de 350 peças, com extensa descrição, além de biografias de vários estilistas.

Exposições atuais

Hoje, o museu do FIT tem três ótimas exposições em cartaz: “Night & Day”, “American Beauty: Aesthetics and Innovation in Fashion” e “Scandal Sandals & Lady Slippers: A History of Delman Shoes”.

A exposição “Night & Day” mostra as mudanças nas regras que ditavam as roupas apropriadas para as mulheres vestirem durante o dia ou à noite ao longo dos últimos 250 anos. São mais de 100 peças expostas, entre roupas, tecidos e acessórios, que servem para ilustrar as convenções sociais durante vários períodos.

O que aprendi na exposição? Que existiu uma época – início dos anos 1900 – em que as mulheres deveriam usar roupas de manga comprida e gola alta durante o dia e mangas médias e pescoço de fora durante a noite. O que fez me lembrar que, hoje em dia, o dress code é tão obsoleto que a regra que restringia o uso de brilho somente à noite está começando a ser ignorada. É a evolução da sociedade através do seu modo de se vestir. Quem sabe um dia homens de negócios nao serão obrigados a usar terno e gravata em cidades como Rio de Janeiro e Recife…

A exposição vai até o dia 11 de maio. Quer ler uma descrição mais detalhada da “Night & Day”? Clica aqui.

A exposição “American Beauty” é incrivelmente linda. A disposição das roupas, das cores, dos manequins, a iluminação… É tudo lindo de ver de longe ou de pertinho, quase disparando o alarme do museu de tão perto que você quer chegar da roupa. A mostra usa 75 looks de 31 fashion designers americanos para contar como a “filosofia da beleza” se alia ao trabalho artesanal do dressmaking. Resumindo: as peças são um exemplo de trabalhos de estilistas que transformaram uma roupa em verdadeira obra de arte, seja pela beleza, pela geometria (ou formato?), pela inventividade ou pelo contexto histórico.

A exposição “American Beauty” é a menina-dos-olhos do museu do FIT. Quem não puder fazer uma visita antes que a mostra seja encerrada pode conferir a visita virtual, que é super informativa e tem várias fotos. A exposição vai até o dia 10 de abril.

Por último, mas não menos interessante, vem a exposição sobre os sapatos da marca Delman. A mostra é resultado de uma atividade curricular dos alunos do curso de graduação em “Fashion and Textiles Studies: History, Theory, Museum Practice”. Em cartaz, cerca de 50 sapatos de uma das marcas de sapatos mais antigas e tradicionais dos EUA, além de um pouco da história de Herman Delman, que fundou a marca de 1919, logo depois de volta da guerra.

Os Delman Shoes se destacam pela beleza e refinamento e costumam aparecer nos pés de muitas famosas. Começou com Jacqueline Kennedy, Marilyn Monroe e Marlene Dietrich, e hoje está nos pés de atrizes como Anne Hathaway, Blake Lively e Leighton Meester. A rainha Elizabeth II também usou um Delman na sua coroação, em 1953.

O que achei mas legal na exposição? Descobrir que, nos anos 1930, Delman se viu louco e teve insônia (de verdade) porque as mulheres inventaram de pintar as unhas dos pés e deixá-las à mostra, o que as levou a preferir sapatos ou sandálias com a ponta aberta. Eram as consumidoras determinando o que um designer deveria criar, e Delman teve de se adaptar a elas.

A exposição sobre os sapatos Delman vai até o dia 4 de abril. Mais informações sobre a mostra aqui ou clica aqui para visita virtual.

Serviço:
7th Avenue com 27th St, New York, NY. Tel.: (212) 217-4530
A entrada é gratuita. As exposições geralmente duram meses e também há visitas guiadas que precisam de inscrição antecipada, pois se esgotam rapidamente.

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