Fashion Talks: Tommy Hilfiger

A quantidade de eventos relacionados a moda em Nova York é surpreendente e já falei sobre isso aqui. Nesta quarta, dia 3, era dia de encontro com o estilista Tommy Hilfiger dentro da série Fashion Talks, realizada pelo FIAF, o French Institute Alliance Française. O mediador era o da esquerda, Richard Bradley, editor da Worth Magazine.

Nesta temporada de inverno, o Fashion Talks convidou três estilistas para falar sobre moda. Hilfiger, o segundo deles, iria contar os desafios de criar uma marca internacional e acabou falando também sobre infância, começo de carreira na cidade minúscula onde nasceu e até que foi diagnosticado com dislexia numa época em que nem se fazia idéia do que era doença. “Eu não conseguia ler direito”, contou.

O encontro foi no formato palestra – palco e plateia – mas com um tom muito, muito informal. Entre as divagações sobre a força da marca, o logo de bandeirinha e como o negócio funciona comercialmente e criativamente, Hilfiger contou que nunca teve educação formal em moda (leia-se faculdade) e que não acha que isso fez falta, apesar de ter atrapalhado na hora de buscar o primeiro emprego.

Para quem está passando uma temporada em Nova York e gosta de moda, vale muuuito a pena participar de um evento desses. Pode até não ser o Fashion Talks, mas vale a pena pesquisar alguma outra palestra ou noite de autógrafos com alguém que você admira. Afinal, onde mais você vai ter overdose de eventos de moda que não em NYC?

Preço

Em alguns casos, você vai ter que separar uma grana para isso. A palestra de Hilfiger, por exemplo, custava US$ 25. No fim, saiu por US$ 35 por causa de imposto e taxa de ‘conveniência’. Mais uma vez, vale a pena pelo ineditismo do evento. Pelo menos no Fashion Talks rolou vale-brinde de US$ 20 da Macy’s pra diminuir o prejuízo.

Curiosidades sobre Hilfiger

Sabia que Hilfiger já faliu? Isso foi quando tinha 23 anos e uma rede de lojas de roupas em Elmira, cidadezinha no estado de Nova York, onde nasceu e cresceu. Ele contou que o problema foi gastar descontroladamente.

Os pais dele ficaram beeeeem decepcionados quando ele disse que não ia fazer faculdade. Depois de falido, ele foi pra NYC tentar emprego, criou uma marca chamada Tommy Hil, mas teve que encerrar os negócios porque a marca já tinha sido registrada anteriormente por outra pessoa.

Em NYC, ele começou a desenhar essas roupas que a gente conhece agora e ofereceu de porta em porta das lojas de departamento. O sucesso dele veio justamente por esse diferencial, que foi a releitura do estilo preppy ou preppie dos anos 1950 e 1960. Coisa fina.

Ah! Outro babado é que ele já esmurrou o Axl Rose numa boate. Hilfiger contou que tava tranquilão esperando o show do irmão quando Axl passou, empurrou ele e começou a falar besteira. Hilfiger não teve dúvida e deu um murro no cantor. “Ele foi muito rude. Eu bati nele antes que ele me batesse”, contou, arrancando risos da plateia. “Mas hoje em dia somos amigos”, completou.

De forma geral, foi muito legal ter ido ao encontro, mesmo tendo de pagar por ele. O clima era de surpreendente informalidade e, depois da conversa, dava para trocar ideias com Tommy Hilfiger no hall do teatro. Ele ficou por lá, conversou com bastante gente e posou para fotos.

Fotos do folder da FIAF e creditadas a © Marc Jacobs e © Dan Lecca (desfile)

A série de encontros da Fashion Talks termina no dia 22 de março com Marc Jacobs, mas os ingressos para o evento estão esgotados. Sobre o que ele vai falar? Sobre a transformação dos estilistas em celebridades e a relação entre moda e Hollywood. Não imagino ninguém melhor que ele mesmo. Na semana anterior, quem conversou foi Gilles Mendel, da grife parisiense J.Mendel.

Update: durante o evento, Tommy Hilfiger não deu detalhes, mas dias depois se tornou pública a negociação da marca por US$ 3 bilhões.

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